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Sociedade Brasileira de Hansenologia pede atenção à saúde de refugiados

Data de publicação: 17/04/2019

 

A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) alerta para a necessidade de criação de programas de avaliação geral da saúde das populações refugiadas no Brasil e na América Latina. O Brasil concentra 90% dos casos de hanseníase das Américas – são cerca de 30 mil novos casos por ano, mas a SBH vem chamando a atenção das autoridades mundiais para a endemia oculta de hanseníase tanto no Brasil, que vem notificando casos, quanto nos países vizinhos, que não têm diagnosticado a doença por falta de programas de enfrentamento às doenças negligenciadas, dentre elas, a hanseníase.

Alguns casos de hanseníase em refugiados já aparecem em pesquisas apresentadas por hansenologistas brasileiros em congressos médicos. Mas a preocupação da SBH é com a falta de programas de saúde voltados para essa população. A entidade chama a atenção para a ligação estreita entre a hanseníase e a pobreza e questiona como é possível que países em condições socioeconômicas piores que o Brasil possam ter controlado a doença. “Insistimos no alerta de que a doença não é um problema apenas do Brasil, da Índia e de alguns poucos países que ainda persistem com muitos casos”, ressalta Claudio Salgado, presidente da SBH, dermatologista, hansenologista, doutor em Imunologia da Pele pela Universidade de Tóquio e professor titular do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará.

A sociedade médica alerta que a hanseníase que não está controlada no Brasil e nos países latino-americanos e, junto com ela, várias doenças mais restritas ao cinturão tropical, área mais pobre do planeta, chamadas de negligenciadas, que são causadas por parasitas ou agentes infecciosos e de alta endemicidade em populações de baixa renda.

Segundo Salgado, é fato que o Brasil tem dado exemplos positivos na atenção aos refugiados, mas há uma movimentação maior de refugiados em todo o mundo e uma situação emergencial de saúde pública na América Latina.

Na mais respeitada publicação científica mundial sobre doenças infecciosas, The Lancet Infeccious Diseases, hansenologistas ligados à SBH questionam os números oficiais referentes à hanseníase da Organização Mundial de Saúde (OMS): “O número de casos relatados é verdadeiramente confiável ou recursos adicionais devem ser disponibilizados para pesquisar os milhões de casos ocultos, pessoas que vivem com hanseníase não diagnosticada, que desenvolvem deficiência e propagam a doença?”. Segundo a publicação, 530 milhões de pessoas moram em países em desenvolvimento, que a OMS apresenta como sem registro de casos de hanseníase em 2017.

Hanseníase tem cura, mas o diagnóstico tardio não permite reverter sequelas e o INSS dispensa milhões de reais em benefícios por afastamentos temporários ou permanentes. Na maioria dos casos, a doença só é percebida depois de 5 ou 10 anos em paciente com histórico de passagem pelo sistema de saúde com dores, manchas, feridas, diminuição de sensibilidade na pele e mãos e pés “em garra” por causa dos nervos afetados pela ação do bacilo.

A SBH defende que a doença só poderá ser controlada quando o país tiver programas que efetivamente diagnostiquem o paciente nos estágios iniciais da hanseníase e quando tiver estrutura para avaliação dos comunicantes. Segundo levantamento da entidade, o Brasil não avalia nem metade dos comunicantes (pessoas que têm contato direto com um paciente diagnosticado com hanseníase). A doença é transmitida por um bacilo, de pessoa doente para saudável. Estudos clássicos da hansenologia mundial apontam que entre 10% e 30% dos comunicantes, quando bem examinados, são diagnosticados com hanseníase.

A SBH é a entidade que aplica os exames e certifica os médicos hansenologistas no Brasil, tem 70 anos e, além de realizar os maiores eventos sobre o tema no país – o Congresso e o Simpósio Brasileiro de Hansenologia –, promove ações de busca ativa de casos/avaliação de pacientes nas regiões de alta endemicidade e treinamentos para profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e outros, com objetivo de capacitar equipes de atenção básica para o diagnóstico da hanseníase. Além disso, realiza a campanha nacional “Todos Contra a Hanseníase”, que é permanente e direcionada à população.

“A doença é de difícil diagnóstico, os profissionais não se sentem seguros na avaliação e o Brasil seguramente tem de 3 a 5 vezes mais casos de hanseníase do que apontam os números oficiais”, alerta Salgado.

Refugiados no Brasil

Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), até o final de 2017 o Brasil reconheceu 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. O Brasil também foi um dos pioneiros a integrar o Comitê Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o primeiro país do Cone Sul a ratificar, em 1960, a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951.

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