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Presidente da SBH fala do cenário da hanseníase no Brasil e alerta para o problema do preconceito

Data de publicação: 16/10/2019

 

Em seu discurso de abertura do 10o Simpósio Brasileiro de Hansenologia, em Recife, nesta quarta-feira 16, o presidente da SBH, Claudio Salgado, cham a atenção para o grave problema do preconceito sobre os pacientes de hanseníase e seus familiares. Segue a íntegra do discurso.

"Estamos aqui em Recife reunidos para mais um simpósio da SBH, a sociedade de uma doença só, como dizem por aí. E estamos mais uma vez clamando pela eliminação! Sim, pela eliminação do preconceito e do estigma, pela eliminação da supersimplificação de uma doença supercomplexa, milenar, que deixa nos pacientes muito mais do que incapacidades físicas visíveis, deixa dores na alma. O afastamento da família e do convívio social, a perda do trabalho e da capacidade produtiva das pessoas, a perda da identidade. Infelizmente, ainda vivenciamos isso nos dias atuais, e não podemos nos acomodar.

Mas como podemos combater isso? Conhecimento. O bem mais precioso da nova era, dos dias atuais. Por que sabemos que não devemos mais isolar os pacientes e, ao invés disso, os acolher para suportar e reconstruir? Como sabemos quantos pacientes vamos encontrar em uma comunidade, mesmo antes de ir até lá fisicamente para avaliar as famílias? Como aprendemos a lidar com o sofrimento emocional, e a trabalhar isso com a finalidade de ajudar as pessoas atingidas pela hanseníase, para que elas mesmas possam se enxergar como outras pessoas que pretendem viver uma vida feliz e produtiva? Conhecimento! Não há outro caminho. As pós-verdades ficam para aqueles que não têm o compromisso de aliviar o sofrimento, seja físico ou emocional. Para nós, só cabem as verdades, e verdades científicas, com bases sólidas.

O Ministério da Saúde do Brasil acabou de encerrar um edital sobre doenças negligenciadas. Não deve haver o fator sorte neste jogo. Temos aqui neste auditório hoje, reunida, a expertise de hanseníase deste país. De pessoas sentadas hoje aqui saíram as propostas que respondem ao edital. E aqui estão alguns dos pesquisadores que irão receber o fomento para trabalhar em busca de dias melhores para as pessoas atingidas pela hanseníase.

Solicitaram sorologia, com testes rápidos, mas testes rápidos demandam respostas rápidas, no início imediato do tratamento e na rapidez em todo o suporte necessário aos que são atingidos pela hanseníase, com suas reações e incapacidades físicas. Que venham os testes rápidos, e que tragam junto toda a agilidade necessária para evitar incapacidades, ou encontraremos as bactérias lá dentro dos nervos, e supostamente as mataremos, mas às custas de muito dano ao nervo na briga pela sobrevivência.

Testes moleculares demandam novas drogas, uma vez que detectemos mutações genéticas que, aliás, já estão em nosso meio. Já estão sendo transmitidas, mais fortes e mais robustas. Temos que aprender a nos defender. Como? Com conhecimento. Testes moleculares podem servir para reescrever a história a partir de novos elementos, como ouvi agora a pouco. A mais singela verdade. É necessário reescrever. Claro! Então o façamos, com a segurança dos dados advindos de novas ferramentas pilotadas por mentes capazes de propor mudanças.  E as ferramentas precisam chegar a quem mais precisa. De que adianta termos a certeza de que podemos identificar um dano ao nervo antes mesmo de manifestações na pele, se o equipamento e o pessoal qualificado não chegam onde quem mais precisa?

Pesquisas trazem luz a um problema que está no escuro, aliás como estão vivendo hoje as pessoas atingidas pela hanseníase, à sombra da sociedade. Trouxemos aqui para Recife a hanseníase como uma doença primariamente neural. O entendimento disso nos traz novas referências e nos faz enxergar a doença de outra maneira. É o que esperamos que aconteça por aqui nestes 3 dias de rica discussão. Um excelente simpósio a todos."

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