
A Sociedade Brasileira de Hansenologia divulga manifesto sobre a fala do vereador paranaense Rafael Poly (PL), que utilizou o termo “leproso” de forma pejorativa na sessão da Câmara Municipal de Marialva do dia 16 de março de 2023.
A entidade ressalta que a hanseníase é uma doença infecciosa, com diagnóstico, tratamento e cura disponíveis pelo SUS, e não deve ser associada a julgamentos morais. Destaca ainda que o termo “lepra” foi oficialmente substituído por “hanseníase” desde 1995 justamente para combater o preconceito.
O manifesto também chama atenção para o fato de que o Brasil tem alta detecção da doença, mas ainda enfrenta uma endemia oculta, agravada pelo estigma, que dificulta o diagnóstico e o tratamento. Por fim, reforça que o preconceito é um dos principais obstáculos no enfrentamento da hanseníase e defende a importância da informação e de ações educativas para garantir dignidade às pessoas afetadas.
Íntegra do documento:
Manifesto público de repúdio ao pronunciamento preconceituoso do presidente da Câmara de Marialva (PR)
A Sociedade Brasileira de Hansenologia manifesta preocupação em relação à fala do vereador Rafael Poly (PL), presidente da Câmara Municipal de Marialva (PR), em sessão de 16 de março de 2026. Em seu pronunciamento, o parlamentar utilizou o termo “leproso” para se referir a outro servidor público, associado ainda ao adjetivo “sujo”, conferindo caráter pejorativo e discriminatório à menção — o que atinge todas as pessoas afetadas pela hanseníase.
A Sociedade Brasileira de Hansenologia, entidade médica com quase 80 anos de atuação no país, ressalta que a hanseníase não é crime, não é defeito e não representa qualquer falha moral: trata-se de uma doença infecciosa, com diagnóstico, tratamento e cura disponíveis no Brasil pelo SUS.
Desde a promulgação da Lei nº 9.010, em 1995, o termo “lepra” e seus derivados foram oficialmente substituídos por “hanseníase” na administração pública brasileira, com o objetivo de reduzir o estigma historicamente associado à doença. Essa mudança foi amplamente incorporada pela sociedade e tem inspirado outros países a reverem o uso do termo “leprosy”, em solidariedade ao esforço brasileiro de combate ao preconceito.
O preconceito se sustenta na desinformação. Por isso, compreender a hanseníase em seus aspectos científicos e sociais é essencial para enfrentar a discriminação que ainda persiste. A Sociedade Brasileira de Hansenologia, inclusive, encaminhou à Relatoria Especial das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra Pessoas Afetadas pela Hanseníase um relatório detalhado que evidencia a gravidade das práticas discriminatórias ainda presentes no Brasil.
O país ocupa a segunda posição mundial em número absoluto de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Ao mesmo tempo, apresenta a maior taxa de detecção da doença, reflexo do esforço de especialistas e dos serviços de saúde na ampliação do diagnóstico. Ainda assim, há uma endemia oculta significativa, com milhares de pessoas sem diagnóstico, mantendo a cadeia de transmissão.
Um dos principais obstáculos para o diagnóstico e para a garantia de dignidade às pessoas afetadas pela hanseníase é justamente o preconceito. É imprescindível reforçar que se trata de uma doença como qualquer outra, que exige cuidado, informação e acolhimento — nunca estigmatização.
A Sociedade Brasileira de Hansenologia reforça a importância de iniciativas educativas e mantém há 11 anos a campanha “Todos contra a Hanseníase” com objetivo combater o estigma e promover informação qualificada. O preconceito, além de ferir direitos, dificulta o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, levando muitas pessoas a se esconderem por medo da discriminação.
Marco Andrey Cipriani Frade
Presidente
Ribeirão Preto, 18 de março de 2026
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